Datacenters e a Verdade de Foucault

Mauro Oliveira – Fortaleza, 20/out/25

“O poder não é algo que se possui, mas uma prática que se exerce.”

Para Michel Foucault, o poder raramente se exibe nu. Ele se manifesta por meio dos “discursos de verdade”, essa maquinaria sutil pela qual o poder produz, legitima e naturaliza o que a sociedade aceita como verdadeiro. Disfarça-se na elegância do progresso, sob o brilho sedutor da modernidade, e se esconde em políticas que se dizem neutras.

É sob essa roupagem que a verdade do poder digital se impõe em nosso tempo: silencioso, ubíquo e travestido de inovação. Ele não domina pela força, mas pela adesão; não oprime, mas seduz. Atire a primeira tecla quem não apresenta, ainda que um “tiquin” de nada, um sintoma de nerd addict!

O poder digital se vende como avanço tecnológico, mas opera como um novo regime de controle onde, numa metáfora foucaultiana, o dado substitui o corpo como objeto de vigilância, e o algoritmo assume o papel de juiz invisível das condutas. É ele quem observa, avalia e sentencia, silenciosamente, cada clique e cada desejo…. Ou você ainda acredita ser mera coincidência aquele anúncio aparecer segundos depois de você comentar, distraidamente, sobre um certo produto?

Esse é o tipo de poder que se vê quando o Brasil, em nome da inovação e da tão proclamada “soberania digital”, releva os riscos ambientais e o consumo voraz de energia e de água, como quem planta bytes e colhe fumaça, enquanto concede isenções fiscais bilionárias às big techs para que aqui ergam seus datacenters, as novas catedrais do poder informacional. Sempre que converso com meus amigos marcianos na Dona Mocinha, eles perguntam: qual é o limite deles … e o da nossa ingenuidade?

Nesse “discurso de verdade” que legitima o progresso, a “nuvem” se apresenta como limpa, sustentável e democrática … até quando? Na prática, é o panóptico de silício: uma estrutura monumental que vigia, acumula e monetiza dados; nada devolve em transferência tecnológica e necas de empregos após sua instalação.

O mais inquietante é o entusiasmo do colonizado, essa euforia quase infantil diante do brilho tecnológico importado. A promessa de modernidade encobre o velho gesto colonial: oferecemos território, energia e silêncio em troca de … de quê mesmo?

O poder, diria Foucault, é mais eficiente quando o governado acredita estar sendo beneficiado. Desletrado nos fundamentos do poder digital, o Brasil aplaude o espetáculo da inovação enquanto assina, sorridente, sua própria dependência, pagando caro pelo ingresso e ainda agradecendo pela colonização em alta resolução. Ou você tá vendo acadêmicos e lideranças preocupadas?

O Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (REDATA) é vendido como um pacto de futuro neste, mas opera como o que Foucault chamaria de “regime de verdade”, um conjunto de enunciados cuidadosamente construídos para legitimar o poder e fazê-lo parecer natural e benéfico.

A verdade proclamada é sedutora: “atrair datacenters é sinônimo de desenvolvimento”. Sob esse enunciado, o país se oferece como território dócil, trocando soberania por promessas de investimento e manchetes tecnocráticas. A retórica não tem, necessariamente, compromisso com a verdade.

Na prática, o REDATA concede suspensão de PIS, Cofins e IPI às empresas que instalarem datacenters no Brasil em troca de contrapartidas mais “peba” que caldo de bila: apenas 2% destinados a P&D e 10% da capacidade reservada ao mercado interno. O resultado é um banquete tributário em que as big techs se fartam e o país fica com as migalhas.

Na verdade (qual delas???), o regime, desenhado sob o pretexto da inovação, acaba favorecendo companhias estrangeiras que nem sequer prestam serviços a clientes brasileiros, já que PIS e Cofins são tributos não cumulativos. As empresas nacionais, estas sim, poderiam compensar parte desses valores via crédito tributário, mas ficam com o resto do caldo: o ônus sem o bônus.

Enquanto o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) sonhava com uma “nuvem soberana”, verde e descentralizada, o REDATA escolhe o atalho colonial: o velho vício de importar o que deveríamos criar e de aplaudir o que deveríamos regular.

É a colonização digital do Zé da bodega em sua forma mais sofisticada: silenciosa, sedutora e legitimada pelo “discurso da verdade”. Como no panoptismo foucaultiano (mecanismo de controle contínuo e internalizado), esse modelo atua de forma invisível, agora disfarçada sob o manto da conectividade. O poder circula por cabos de fibra óptica e centros climatizados, convertendo dados em valor e cidadãos em mercadoria. A vida se torna administrável, previsível e monetizável, tudo em tempo real e com cashback. Ou você é daqueles que ainda hesita em entregar o CPF em troca de desconto no Malbec? Pois é, eu também sou refém dessa aí … só que agora o cárcere vem com Wi-Fi e perfume francês.

Nesta luta desigual do rochedo contra o meio ambiente, as comunidades locais continuam fora do mapa e da mesa. Não são vistas como sujeitos políticos, mas tratadas como paisagem a ser administrada. Seus territórios são negociados em gabinetes, suas águas desviadas para resfriar máquinas, sua energia “despriorizada” em nome da eficiência econômico digital.

“Arre égua”… enquanto o silício se aquece, o sertão se cala. E seus futuros, hipotecados, seguem servindo a um progresso que passa por cima, mas não por dentro, reluzente na superfície, mas cego para o chão onde pisa. A modernidade avança a gigawatts, mas esquece de olhar nos olhos de quem carrega os cabos. Levanta aí a mão quem soube de alguma consulta pública, audiência comunitária ou convite às entidades locais para opinar sobre as decisões que as afetam.

O entusiasmo com os datacenters de IA expressa, no plano discursivo, aquilo que Foucault chamaria de governamentalidade: o poder que não impõe, mas conduz; que não ordena, mas persuade; que não reprime, mas modela. Entre algoritmos e decretos, o “convencimento” não se dá mais pela força, mas pela adesão e o controle, agora, se vende embalado em liberdade, com design minimalista e sustentabilidade. É a velha dominação reprogramada em linguagem de startup: sorridente, eficiente e “user friendly”.

Se Michel Foucault viesse hoje ao Pirambu Innovation, talvez sorrisse com ironia e rabiscasse na parede do Chico da Silva:

“O biopoder agora veste fibra óptica e fala em gigawatts.”

Afinal, governa-se pela informação, vigia-se pelo algoritmo, recompensa-se pela docilidade, aquela em que o colonizado é treinado para obedecer sem perceber que obedece.

Hummm… um filósofo recém-saído do Pinel, tomando uma Ypióca (sem metanol) no Canecão, talvez cochichasse que o poder só trocou de roupa: os carcereiros viraram servidores, as celas, datacenters, e os relatórios, dashboards reluzentes.

Exagerado, esse bebum… né, ou não?

Não seria este cenário o reload contemporâneo do consagrado, e ainda tão atual, “Vigiar e Punir”?

Sei não, viu… talvez só tenham atualizado o sistema. Agora ele é digital, silencioso e vem com selo verde de sustentabilidade. Nem precisamos de guardas ou muros: nos vigiamos sozinhos!

“Compreender o poder é o primeiro passo para não ser dominado por ele”

Mauro Oliveira

Eletrotécnico (IFCE), mestre (PUC-Rio), PhD em Informática (Sorbonne University). Foi Secretário de Telecomunicações do Ministério das Telecomunicações

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Datacenters e o entusiasmo do colonizado

Mauro Oliveira (autor do livro Soberania Digital – Colonização & Letramento) – Fortaleza, 18/out/25

Parece ter passado despercebido à equipe do ministro Fernando Haddad o verdadeiro espírito do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que se autodefine como uma “IA para o Bem de Todos”. Ao propor, em parceria com o MDIC e o MCTI, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (REDATA), o Ministério da Fazenda afasta-se das diretrizes e princípios defendidos pelo PBIA, que priorizam autonomia tecnológica, desenvolvimento nacional e soberania digital.

A proposta levada aos EUA apresenta o Brasil como um paraíso fiscal para as big techs e contradiz o espírito do PBIA, orientado ao desenvolvimento tecnológico e econômico do País, com foco no fortalecimento da autonomia nacional e da competitividade brasileira no cenário global (p. 24, PBIA).

O REDATA concede suspensão de PIS, Cofins e IPI às empresas que instalarem data centers no Brasil, em troca de contrapartidas tímidas — apenas 2% destinados a P&D e 10% da capacidade reservada ao mercado interno. No papel, soa como avanço; na prática, é um “trickle-down digital”: as gigantes globais ficam com os benefícios, enquanto o país arca com os custos e recebe migalhas.

Esta estrutura favorece companhias estrangeiras que não prestam serviços a clientes brasileiros, já que PIS e Cofins são tributos não cumulativos e as empresas nacionais de maior porte poderiam compensar parte desses valores via crédito tributário.  

Ora, o PBIA é cristalino quando define, na Ação 41: Desenvolvimento de data centers nacionais como um pilar da soberania digital. Ele prega a redução da dependência de servidores estrangeiros e a criação de uma “nuvem soberana”, aquela capaz de proteger informações estratégicas de órgãos públicos, centros de pesquisa e instituições de Estado, garantindo que os dados sensíveis dos brasileiros permaneçam sob jurisdição nacional (pág. 85, PBIA).

O contraste PBIA x REDATA é notável! Enquanto o PBIA defende uma infraestrutura nacional, verde e descentralizada, o REDATA surge como uma espécie de atalho colonial high-tech, um “plano de incentivos” que terceiriza o futuro brasileiro da IA e ainda com desconto fiscal. Em vez de fomentar a criação de data centers públicos e privados sob controle nacional, o governo parece disposto a entregar isenção e território para que as big techs consolidem aqui seus depósitos de dados, transformando o Brasil em mero celeiro digital: rico em energia limpa, mas pobre em autonomia e desenvolvimento científico & tecnológico.

Cai bem, agora, a pergunta que não quer calar: por que as big techs querem, a todo preço, ou melhor, ao “mínimo preço”, instalar seus data centers de IA generativa no sul global, notadamente no Brasil?

Lá vai a resposta para a qual não podemos fazer “ouvido de mercador”: as big techs querem tudo o que o governo oferece (desoneração de impostos, facilidades regulatórias e tudo o mais prometido) e, de quebra, se livrar das complicações socioambientais que já enfrentam lá fora.

Neste contexto, quanto mais se lê o PBIA, mais incomoda o distanciamento do REDATA. Logo nas primeiras páginas, o PBIA desenha com clareza o caminho que deveríamos estar trilhando:

Pag 19, PBIA: O País pode se posicionar como líder em data centers e infraestrutura de IA de baixo impacto ambiental, atraindo investimentos e promovendo inovações em computação verde e eficiência energética em IA.

Na página 29, o PBIA deixa claro o propósito maior de toda a sua arquitetura conceitual, um daqueles trechos que deveriam estar colados na parede de cada ministério:

  • Promover o desenvolvimento, a disponibilização e o uso da inteligência artificial no Brasil, orientada à solução dos grandes desafios nacionais, sociais, econômicos, ambientais e culturais, de forma a garantir a segurança e os direitos individuais e coletivos, a inclusão social, a defesa da democracia, a integridade da informação, a proteção do trabalho e dos trabalhadores, a soberania nacional e o desenvolvimento econômico sustentável da nação.

Ou seja, a ideia do PBIA é um plano original de um “Brasil brasileiro” sonhava grande e com método. Mas parece que o REDATA, entre planilhas e viagens a Washington, trocou o verbo “desenvolver” por “importar”.

Se as ações da equipe Haddad viessem de um governo liberal, a esquerda as chamaria de “entreguismo da soberania nacional”. Pois, o que vemos é o “entusiasmo do colonizado” essa mistura de deslumbramento e desdém com a dependência tecnológica o que faz o país aplaudir o que deveria regular e importar o que deveria criar.

BORA, Fernando, ainda dá tempo.

Mauro Oliveira
PhD em Informática (Sorbonne University) e mestre em Enga Elétrica (PUC-Rio). Foi Secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações.

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O Peru de Russel na última lição de Roberto Lins


Mauro Oliveira, Professor IFCE
Fortaleza, 25 fev 2025

Dedicado a Tarcisio Pequeno, inventador mor do Cientista-Chefe, da Citinova, da IA no Ceará, da “pelada” na PI (dono da bola) … e por aí vai!

O Professor Roberto Lins de Carvalho, ou simplesmente Liiiinns como frescava o Tarcisio com o seu orientador e amigo na PUC-Rio, foi um dos caras mais geniais com quem já convivi. Espécie de oráculo nacional em lógica computacional nos anos 80, este sergipano da peste nos deu um “bombom” na BARCA (Bodega de Artes Raimundo de Chiquinha do Aracati), em seus últimos 100 dias antes de partir para o … “raio que o parta” (rsrsr).

Além de se achar o cara mais joiado & inteligente que ele já tinha conhecido, e era mesmo … segundo ele próprio (rsrs), Liiinns se orgulhava de sua árvore genealógica acadêmica onde nada menos que Bertrand Russel, o maior filósofo-matemático do século XX … segundo o Liiinns (rsrsr): Russel foi um orientado do mesmo orientador (Alfred North Whitehead) do orientador de seu orientador na Universidade de Toronto, no Canadá.

Amante “com lógica da vida sem lógica” (… ou não), Liiiinns adorava pregar aos meus alunos, caminhando com a pressa de um filósofo desempregado, que o Chico (Buarque, claro) conhecia nossas brasileirices como ninguém. Meus bolsistas o seguiam na BARCA, arrodiando-o sobre as 5 coisas fundamentais da vida: amor, artes, filosofia, lógica e o escambau (não necessariamente nessa ordem). Liiinns se virava pra eles e os hipnotizava com “questiúnculas reflexivas”. E murmurava pra mim, baixinho: “o tal do Sócrates fazia algo parecido, né não” … e ríamos juntos!.

Liiinns era um sedutor transcendental! Com ele aprendi que um “não” vc já “não” tem daquele olhar furtivo de ½ segundo da beleza ao lado, aprendi que sempre seremos jovens, aprendi a admirar Russel. Sim, aquele cara que para provar que 1 + 1 = 2 (“literalmente”), escreveu mais de uma centena de páginas (“Principia Mathematica”) com seu dileto Whitehead, em 1910.

Russell foi também um ativista pela paz nas guerras mundiais e na guerra do Vietnã. Acabou sendo preso por seu ativismo pacifista. Em 1950, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, não pelas suas matematices, mas pela elocubracices filosófico-humanista.

E onde entra o Peru do Russell neste evangelho? Calma aí …

Tudo isso é para preambular que a lógica na qual se baseia a Inteligência Artificial (IA) tem três tipos de Inferência: DEDUTIVA, INDUTIVA e ABDUTIVA.

A inferência Dedutiva é baseada em silogismos (olha aí o bloquinho de pré-carnaval na Dona Mocinha) que partem de regras gerais e fatos conhecidos (premissas) e levam a uma conclusão: “Todos os homens são mortais, Sócrates (aquele que imitava o Liiins … rsrs) é homem. Logo, Sócrates é mortal”.

Os Sistemas Especialistas, pioneiros na busca pela inteligência artificial, baseavam-se no raciocínio Dedutivo, onde as máquinas seguiam fielmente na lógica das regras programadas pelos seres humanos — praticamente robôs obedientes antes mesmo de isso ser moda.

E onde entre o Peru? Ah, segura aí que ele já vai cacarejar! (rsrs)

Percebe-se, portanto, que o raciocínio Dedutivo não acrescenta exatamente um conhecimento novo. Tá mãos para aquele intelectual chato com o Mobral mal feito que, um gole a mais, só repete o óbvio e não traz nenhuma novidade para a mesa do bar.

Mas aí entra o raciocínio Indutivo, um garçom jovem (Allstar de couro, abadá do bloco EU GOSTEI, sem cueca) estudando para o vestibular no Equipe do Prof Pimpão, doido pra ganhar o “pé de meia”. É não? … ENEM, cara!

A INDUÇÃO parte de observações específicas para se chegar a generalizações mais amplas. É o tipo de inferência usado pela IA para aprender pela experiência, criando/ identificando padrões.

O Raciocínio INDUTIVO é a verdadeira alma das REDES NEURAIS, a célula mater do Aprendizado de Máquina Profundo (Deep Learning), o BÊ-A-BÁ da arquitetura Transformer do ChatGPT e comparsas americanos … e agora chineses (dá-lhe DeepSeek dos zoins). É a inferência Indutiva que dá à IA aquela habilidade quase mágica de reconhecer padrões, fazer previsões e identificar imagens como se tivesse olhos … de chineses (rsrsr).

De um lado, as REDES NEURAIS são as responsáveis por dar a “sustância” ao ChatGPT e às alopradas LLMs (Large Language Models): Gemini da Google, o DeepSeek do Chinão, o Grok do Elon Muskarado, e por aí vai. Esses modelos se alimentam de dados como crianças de chocolate na Páscoa -quanto mais, melhor –  … na festa do vizinho!

Mas, e sempre tem um “mas” quando o bicho pega, o Raciocínio INDUTIVO tem suas limitações. Por mais impressionante que seja a capacidade dessas máquinas de aprender com exemplos, elas ainda não conseguem replicar a inteligência humana na sua plenitude. Afinal, vocês terráqueos, não vivem só de padrões. Vocês são criativos, improvisam, filosofam (com mais ímpeto no bar) e até inventam expressões como “onde entra o peru de Russell neste evangelho?” … rsrsr (Zeus vais castigar).

E o Peru de Russel? Agora vai …

“Imagine um peru alimentado pelo fazendeiro todo santo dia. O peru percebe que diariamente, sempre que o fazendeiro aparece, ele recebe comida. Usando o raciocínio indutivo, o peru conclui que o fazendeiro sempre trará comida… EXCETO na véspera do Natal: o fazendeiro aparece não com comida, mas com um machado.”

E aqui que reside o grande dilema da INDUÇÃO. Embora seja extremamente útil para identificar padrões (de faccionistas em progresso na política), fazer previsões (das BETs no ramo de certas igrejas na TV) , a INDUÇÃO não pode ser realmente provada. Afinal, o fato de o sol ter nascido todos os dias até hoje não é garantia nenhuma de que ele vá aparecer novamente amanhã. Vai que o universo resolve tirar um dia de folga, não é mesmo? Deixa só o Trump “tomar uma” no Bar do Chaguinha, dia de decisão Ferrim X Calouros do Ar.

Falou em “tomar uma” só porque “o dia está Colonial”, lembre-se que o futuro tem o poder de falsear qualquer hipótese indutiva, jogando na nossa cara: “nem tudo o que parece é”. E foi exatamente aí que o Peru de Russell bobeou: Confiou demais no método indutivo, acreditando no milho que … o “fazendeiro amassou”.

Ah … Destino, por que fazes assim? Tenha pena de mim! Veja bem, não mereço sofrer. Quero apenas um dia poder Viver num mar de felicidade.

Se o fazendeiro tivesse tido um imprevisto, tipo uma viagem sorteada no Irapuam Lima, chegada da sogra na véspera de Natal etc., o peru poderia ter vivido mais um dia … “um dia pra ser feliz, um dia pra se viver” (de repente a sogra o levasse pra engorda). E agora, José?

… A festa acabou. A luz apagou. O povo sumiu. A noite esfriou. E agora, José?

O terceiro tipo de inferência é a ABDUÇÃO. Nela, parte-se de uma observação para chegar à hipótese mais provável ou à melhor explicação.

Diferente da Dedução (que vai do geral para o específico, oferecendo certeza lógica) e da Indução (que vai do específico para o geral, trazendo generalização e probabilidade), a Abdução segue o caminho da observação para a hipótese, priorizando a melhor suposição em cenários de incerteza.

A Abdução é amplamente utilizada em contextos onde há informação incompleta, como em diagnósticos médicos, investigações criminais ou na formulação de hipóteses científicas. É esse tipo de raciocínio, próximo do “bom senso comum”, é uma habilidade difícil de ser replicada pelas máquinas.

A Abdução é justamente essa faísca de criatividade, o seu momento “Eureka!”. Enquanto a Dedução e a Indução seguem trilhas lógicas e, de certo modo, previsíveis, a Abdução cria atalhos mentais, oferecendo respostas inteligentes mesmo em cenários incertos.

E aí está o maior desafio da Inteligência Artificial: como ensinar uma máquina a ter intuição, a fazer suposições criativas e a conectar os pontos de forma original, a obter a explicação mais provável para um conjunto de observações.

Até agora, nenhuma linha de código conseguiu imitar essa magia humana por completo … prometida brevemente pela AGI (Inteligência Artificial Geral) e, mais pra depoismente,  pela Singularidade (inteligência acima da humana).

Afinal, não dá para ensinar uma máquina a ter aquele lampejo genial que só surge entre o segundo café e a décima aba aberta no navegador. … ou um dia dará?

Qualquer que seja o futuro, uma coisa é certa: como nos ensinou, em suas andanças socráticas pela BARCA, o Liiinns, digo, Professor Roberto Lins de Carvalho, em sua “Última Lição”:

“o verdadeiro salto da inteligência humana reside na nossa capacidade de nós nos fazermos as perguntas certas, no tempo certo… mesmo que não tenhamos ainda as respostas prontas.”

Ele finalizaria, baixinho, assim, half discreto (pra todo mundo ouvir), com aquele sorriso irresponsavelmente maroto:

“O tal do Sócrates diria algo parecido, né não?” rsrsr!

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Por quem os Livros Dobram

É fim de madrugada. A linha que separa o mar e o céu, lá longe onde a terra dobra, sustenta nuvens que saem de dentro do infinito.

O sol matinal se insinua um tanto apressado, como quem foge pela janela da amante. O frescor do vento alisa meus cabelos, feito mãos de noiva na véspera. O cheiro de maresia ao entardecer me embriaga de paz, tal colo de mãe, dilatando meu sorriso Kolynos (Ah!).

O som da maré é meu mantra preferido. Abro os olhos. O dégradé da noite se desfaz relembrando amores esquecidos, enquanto jangadas solitárias espreitam, em vigília, a enseada violada pelo neon dos bares do Mucuripe. Ora direis, Augusto Pontes: “Vida, vento, leva-me daqui”!

Caminho pés na areia, encontro o casal de alemães e suas sacolas de “mercantil” cheia do lixo deixado na praia por incautos contumazes. Mais adiante, mestre Santiago me espera para uma prosa em sua jangada. Suas velas, prontas para o “take off”, explodem ao vento como a felicidade dentro de mim.

De longe, mestre Santiago já me aponta para seu amigo Manolin: lá vem o professor! Fico maravilhado com seu vigor ao erguer os troncos que empurram a jangada até o mar. Quanta coragem nos 5, 10, 40 km mar adentro! E quando a velhice não mais lhe permitir o peixe nosso de cada dia? Fujo rápido dessa “maré baixa” pra não interromper nossos olhares se abraçando.

Mestre Santiago tem em grande conta todo professor, doutor, esse pessoal formado, que estuda, vive lendo… no palavreado dele. E nos elogia tanto que chego a ter “pena de nós”. Não imagina que nós, “esse pessoal que estuda”, não temos um “mirréis” da sua coragem diária. Nós, sociedade letrada, somos vaidosos, egoístas e solidários… apenas quando somos atingidos pelas pandemias. E a nossa Escola? Ah, ela tem falhado em mudar a sociedade.

Decidi contar ao mestre Santiago que nós, “esse pessoal formado”, não somos bem quem “o imperador do Japão referenciaria”. Quando falhamos, nem sempre temos a humildade de reconhecer, refazer, recomeçar,  … !

Corri manhã seguinte ao seu encalço. Mas … vejam só, bem ali, acolá…! Uma multidão, agitada feito pinguins ansiosos, aguardava esperançosa seu barco que teimava em não chegar. Quis chorar a perda do mestre Santiago, mas o nó na garganta deu antes um arrocho no peito e aí, senti um não sei o quê que chorava por dentro.

Prometi-lhe, então, algo digno: contar aos meus alunos a sua saga no mar, sol cegante, feridas nas mãos, na luta diária contra Marlim.

Prometi-me dizer à sociedade, sempre que possível: uma “Escola que é reflexo da sociedade não serve a ela,… nem pra ela”.

“Por quem os livros dobram”! Onde se encontra a verdadeira sabedoria. Certamente não é nos discursos intermináveis sobre conhecimento, nem nas fórmulas que nos cercam. A essência da vida ‘se dobra’ para quem trabalha, para quem luta, para quem carrega o peso de um dia de trabalho com a dignidade de quem vive do suor do seu rosto, de quem jamais desiste de uma luta, seja ela no mar ou no campo.

O pescador, o ambulante sol a pino, o homem simples que recolhe o lixo que deixamos, têm os “livros dobrados” em suas vidas.  A vida de qualquer pessoa deveria afetar a todos, como se todos estivessem ligados uns aos outros.

Quem sabe, um dia, a sociedade perceberá que esses homens simples, com seus rostos marcados pelo tempo e pelas lutas diárias, são verdadeiros heróis da nossa história. E quando isso acontecer, talvez os livros, finalmente, se dobrem para os verdadeiros mestres da vida.

“Nenhum homem é uma ilha, inteiro em si mesmo; todo homem é uma peça do continente, uma parte do todo… Portanto, nunca pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”(John Donne)

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C-Jovem, o jovem em busca de sua melhor versão

(Artigo publicado no Jornal O POVO em 06 de janeiro de 2023)

Nada mais forte na pele que arrepia do que dar a um jovem a oportunidade de transformar a sua vida… que pode transformar outras vidas.

Isso deveria ser suficiente para que nenhuma política pública fosse pensada sem ter os jovens como norte. São eles os responsáveis pelo futuro… agora! Muitos jovens nas periferias das cidades e nas brenhas do sertão, perdidos em seus sonhos, ou sem sonhos, sem “lenços nem documentos”, só precisam de algo simples, tão simples que por vezes escapa a nós, “passados na casca do alho”: a oportunidade que liberta.

Programa C-Jovem, lançado pela ex-governadora Izolda Cela, em abril de 2022, tem essa visão cidadã na capacitação em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) de 100 mil jovens. Além da formação profissional, o jovem será motivado a apropriar-se de seu entorno social.

O C-Jovem se apresenta como a democratização de linguagens que aumentam oportunidades profissionais do jovem, como a lógica, o empreendedorismo, a informática e o inglês cuja fluências nos jovens é notadamente desigual num Brasil extremamente desigual. Este projeto “made in Ceará”, acaba de ter financiamento aprovado pelo MCTI que já especula sua exportação para outros estados.

Como idealizador do C-Jovem, convém reportar-me a 2007 quando Ricardo Liebmann e eu tivemos o privilégio de inaugurar sua primeira versão, o e-Jovem, com Mauricio Maia e Izolda Cela, então Secretários da Educação do Ceará. O e-Jovem nasceu impregnado do paradigma “Jovem ensinando (aprendendo) Jovem”, mantra do revolucionário projeto Pirambu Digital, em 2005, em parceria com meu saudoso Demócrito Dummar.

Assim, além da geração de renda que a transversalidade da área de TIC acena, o C-Jovem se caracteriza pela magia da educação que acontece em sua plenitude ao se “tocar” na autoestima de um jovem. Isso, educar um jovem é simplesmente atiçar sua autoestima, pela prática, quando ele se sente útil ajudando, quando ele se sente capaz fazendo, quando ele se sente.

O C-Jovem é um programa ousado de formação profissional, de cidadãos solidários, a oportunidade para que ele, o jovem, corra em busca de sua melhor versão.

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Transformação Digital … pra quem?

(Artigo publicado no Diário do Nordeste, Coluna Egídio Serpa, em 24 de maio de 2022)

Transformação Digital não se faz dentro de quatro paredes! Urgi esta frase, recentemente, às margens da lagoa do Iate Clube numa entrevista animada pelo poeta e artista Totonho Laprovitera! Lembrei-me, de imediato, do que eu tinha dito ao saudoso Chico Bilas, lá nas beiradas dos anos 90, quando instalávamos no Diário do Nordeste a segunda página web em um jornal no Brasil. Alertava ao Bilas, ainda no século passado quando a internet era um fusquinha, que ela poderia se tornar uma ferramenta de desigualdade social.

Ideologias à parte (ou não) a verdade é que neste filme de mocinhos do cotidiano a internet tem sido agente duplo, jogando pesado em países subdesenvolvidos que tem a economia baseada em commodities a favor dos conglomerados high-techs que vendem a preço de milhares de bananas suas minúsculas rapaduras eletrônicas.

A “vibe” agora é Transformação Digital, como se ela não tivesse se iniciado no após guerra pelo modelo, vigente ainda hoje em nossos notebooks, do fantástico Von Neumann ao implementar a máquina do genial Alan Turing, desenhada em um guardanapo, depois de um Bourbon duplo, escondido de homofóbicos na penumbra de algum bar londrino.

Transformação Digital se apresenta tão tranquila quanto um cego em tiroteio num culto do Dataismo, religião preconizada por Yuval Harari sobre a entrega de nossa autonomia à Google, Waze e ao escambau digital. Nele, quem tem olho, computador e banda larga namora a filha do rei!

Neste mundo de Harari, o abismo digital tem aprofundado, e de forma exponencial em alguns países, o apartheid social reinante e que coloca em xeque a sensatez de nossa trajetória Sapiens, ao deitamos um clique na África e em nossas favelas urbanas.

A dialética a que se presta a tecnologia não é privilégio da internet, já nos provou Oppenheimer à revelia de Einstein. Não será diferente com o novo mantra Transformação Digital. Precisamos ficar atentos ao vermos políticas públicas de Transformação Digital sendo anunciadas com visões conservadoras com combustíveis clássicos, tidas como fenômeno de geração espontânea.

Uma luz no final do túnel nesta direção é a da Governadora Izolda Cela que nos brindou  com o Decreto sobre a Transição Energética do Estado. O Governo do Ceará se prepara para era digital em dois caminhos iniciais: o serviço ao cidadão, o principal, e o atendimento e integração na estrutura de suporte ao cidadão (secretarias, órgãos e Vinculadas da administração direta e indireta).

Para além dessa fronteira, a promoção da cultura da Transformação Digital é um dos pilares em favor da sociedade, encontrando do analfabetismo digital à conversão no emprego formal em plataformas digitais a real transformação.

Importante colocar em primeiro lugar a maioria da população que participará da transformação digital e nunca vai compreender as tecnologias diretas ou embarcadas nos transportes e infraestruturas em geral, na educação, na saúde, na segurança pública e em todas as atividades da vida humana, fauna e flora, doravante sujeitos a transformação digital, inclusive para os desafios e impactos das mudanças climáticas.

O IRACEMA Digital está construindo uma proposta com sugestões na perspectiva de colaborar com o Estado na Transformação Digital Humana. Para tanto, o IRACEMA Digital fez uma consulta pública com seus participantes e parceiros. Seu Presidente, Ricardo Liebmann, reforça a tese de que o objetivo maior da proposta deveria ser “Reduzir as desigualdades sociais através da Transformação Digital”.

Nesse arcabouço ampliado: reduzir o custo dos Governos aumentando a qualidade dos serviços aos cidadãos, melhorar o acesso a educação, a saúde, aos serviços sociais, encontrar a empregabilidade, transparência pública, proteger o meio ambiente, dar mais segurança são objetivos de uma Transformação Digital cidadã, diz Liebmann: “se não for para isso, não tem motivo de ser”.

Mauro Oliveira, Professor IFCE

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Algo Melhor que a Refinaria!

(Artigo Publicado no jornal O POVO em 24 de abril de 2022)

Demitri Túlio, jornalista “Das Antigas”, e Cláudio Ribeiro me pregaram um susto em 07/julho/2008. Ao ser entrevistado por essa dupla dinâmica d´O POVO, bradei na saída: Demi, esse negócio é “Algo melhor que a refinaria”! Este brado, título da entrevista, retumbou como um delírio a olhos conservadores!

Mas não era! Eu me referia ao Dragão Digital, um projeto em que o Cinturão Digital de Cid Gomes, em construção pelo engenhoso Fernando Carvalho, seria a estrada para uma ruma de softwares produzidos pelo projeto e-JOVEM sendo implementado por Maurício Maia.

O Dragão Digital via uma central de inteligência no prédio do Cine São Luiz (ameaçado de compra por uma igreja de duvidosa reputação) onde empresas e “startups” (neologismo trazido pelo “Carioca da Peste” Análio Rodrigues, da Finep) se articulariam com milhares de jovens produzindo software em todas as brenhas do Ceará, com apoio do IFCE e universidades.

Não era pra menos! Havia em 2008, segundo o Gartner Group, um mercado offshore de software de US$ 35 bilhões crescendo a 20% ao ano, dominado pela Índia (48%). O Brasil figurava em 15º lugar.

Algo melhor que a refinaria, argumentava aos infiéis, seria a formação massiva de programadores para um futuro onde “dados seriam mais caros do que petróleo”. Perdemos esse primeiro bonde selado, mas não perdemos a guerra… nem a garra!

“2022, o ano que aconteceu” tem sido o mantra do IRACEMA Digital e nos impulsa a reavaliar o que realmente é POP e TECH. Geração de renda com software pelo jovem é uma arma poderosa na guerra que estamos silenciosamente perdendo: as drogas estão “perscrutando e convocando” nossos jovens de fora da Aldeia Aldeota.

Mas eis que repente, a formação profissional e cidadã de 100 mil jovens, Projeto C-JOVEM, uma repaginação moderna do e-JOVEM, entra no ideário, na alma e na caneta de quem tem o destino social, cultural e econômico de nosso Estado. O C-JOVEM foi lançado no dia 18 de abril de 2022, uma segunda qualquer no calendário gregoriano que poderá ser citado no futuro por esses 100 mil jovens, já com o manche do seu Estado.

Eles dirão neste futuro, aos novos jovens, que a Professora Governadora percebeu “2022, como o ano para acontecer”. Dirão que a Professora compreendeu fácil que havia “Algo maior que a refinaria” e que a Governadora, para tanto, “deu o máximo de si… é o melhor que o homem pode fazer na vida” (Cervantes in Dom Quixote).

Mauro Oliveira, Professor IFCE

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C-Jovem e a Política do óbvio!

(Este artigo foi publicado no Jornal Diário do Nordeste, em 18 de abril de 2022)

“Navegar é preciso… criar um Ecossistema de TIC no Ceará parece que não é! Nos falta uma “vitrine” do que temos, somos e sabemos na área de TIC! A falta dessa “vitrine” tem resultado em perda de negócios além de levar muitos empresários e gestores a pegar o corujão da VASP no Cocorote em busca de soluções no Sul Maravilha da VARIG! Mal sabem eles que bem ali, lá acola, tem startups do Rapadura Valley, nos Hubs do Cumbuco e do NINNA com soluções mais em conta e de qualidade superior, com suporte de cientistas de nossas universidades.

Um Ecossistema teria a missão de fazer um “tinder” entre os produtores e consumidores, e entre os próprios atores de TIC no Ceará! Isso mesmo, um “TINDER”! Seria também uma estratégia para estancar a sangria de cérebros e reeducar nossos consumidores imersos na velha cultura, vinda dos cafundós, de valorizar mais o que vem lá de fora; já reclamava o Chico de Maranguape.

Tão óbvio quanto a necessidade de um Ecossistema de TIC é a formação massiva de profissionais nesta área que, todos sabem, emprega rápido (todos meus alunos de computação geram renda antes de se formarem) e tem como principal insumo o raciocínio lógico (farto na cucuruta cearense), além de não depender de parafernálias caras para quem resolver ser um freelancer.

Mas de repente, eis que chega “2022, o ano que aconteceu”! Nada mais forte na pele que arrepia do que dar ao jovem a oportunidade de transformar a sua vida… que transforma outras vidas. Sim, o lançamento do Programa C-Jovem pela Governadora Izolda Cela, nesta segunda-feira, tem essa missão focada em 100 mil jovens. Além da formação profissional, o jovem será motivado a apropriar-se de seu entorno social, assumir cedo a inevitável liderança de seu futuro.

Esse é o C-Jovem, a política do óbvio sendo posta em prática!

MAURO OLIVEIRA, Professor IFCE

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2022, O ANO QUE ACONTECEU

2032! Estamos em plena segunda-feira, no futuro. O mundo imaginado no filme Upload, diferente dos Jetsons, é ainda uma ficção, adiada que foi para uma próxima temporada. Nele, a “Lakeview”, empresa de pós vida digital, negocia a vida eterna com quem pode pagar, uma espécie de reload high tech do que foi praticado por alguns clérigos monetaristas na idade média, em “nome do Senhor”, é claro!

Seguem algumas manchetes do dia 04 de abril de 2032:

ORA BUSINESS: as criptomoedas adotadas por todos os países, exceto a China (que ainda insiste em tudo futricar), têm sua hegemonia no mercado financeiro ocidental ameaçada pelos METAhackers. Estes cabras da peste digitais conseguiram burlar as tabelas hash (o segredo do blockchain) com computadores quânticos, deixando em pavorosa os hubs de inovação, exceto os precavidos executivos kitesurfistas na Cumbuco Wall Street (comunidade liderada pelo guru Rômulo Soares)

NEM TUDO É DIVERSÃO: o Carnaval no Metaverso da Sapucaí será adiado. Visto no passado como uma alternativa ao controle da COVID 19, as “aglomerações” no metaverso preocupam cada vez mais os psicólogos pelo número de “suicídios virtuais” (um tipo de covardia lacaniana) entre usuários embriagados nessa cachaça digital. A empresa BUGABOO, líder mundial em metaverso, discorda e deverá recorrer ao recém criado STM (Supremo Tribunal Metavérsico), é o que diz Tiago Guimaraes, CEO da empresa e sócio majoritário da Amazon.

EM SOCIEDADE TUDO SE SABE: o ex-idoso Elon Musk cancela sua lua de mel em Maracanmarte, sua ilha construída no planeta vermelho. A decisão deve-se ao estresse no fracasso de sua empresa “Lakeview”. Perguntada pelo IRACEMA News, sua esposa declarou cantando: “Eu vou pra Maracanmarte, Eu vou”. Segundo ela, na vida “foquete não tem ré”!

Mas é claro, temos boas notícias em 04 de abril de 2032:

TURISMO: O Palácio da Inovação (antigo Palácio da Abolição) e o Museu da Imagem e do Som, o “quartier high tech” de Fortaleza, supera em visitantes o Metropolitan de New York. Além de Chico Gomes, expõem Marcos Vieira, Claudia Sampaio, Totonho Laprovitera, Carlinhos Decimo, Érica Peron e Mano Alencar.

ECONOMIA: O Ceará bate seu próprio recorde liderando no Brasil a produção de Hidrogênio Verde carbono zero: obtido sem emissão de CO2. Júlio Cavalcante, CEO da “Verde que te Quero Verde S.A”, lembra que já em 2022 o Estado chegou a produzir 500 mil toneladas, exportando pelos portos do Pecém e de Roterdã, parceiros comerciais.

EDUCAÇÃO: O modelo educacional de Sobral, reconhecido internacionalmente há mais de uma década, é finalmente adotado pelo MEC e universalizado em todos os municípios do Brasil.

JOVENS: A partir de uma política de profissionalização massiva e inovadora (computação & filosofia) de jovens, em uma década o Ceará construiu o maior Ecossistema de TIC do país. Segundo Célio Fernando, esse modelo é o principal impactador do crescimento do PIB cearense, o terceiro do país.

Em entrevista para a Fortune, Ricardo Liebmann, presidente do “IRACEMA Venture Builder” explicou que o sucesso social e econômico do Ceará na última década, premiado pela UNESCO, deve-se a prática de uma “política do óbvio” dando ao jovem o direito de Ser Jovem, C-JOVEM. Liebmann finaliza que tudo começou devido a … “2022, o ano que aconteceu”!

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Álbum SÁBADO em MARTE

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